O que mais me deixa pasmo é que, depois de tantas dissoluções, André, enfim, estava fazendo as pazes. Aceitou o convite de reunião do Shaman; e, mesmo depois de tanto tempo brigado com o Angra, justo na semana passada, deu sinais de que gostaria de tocar junto novamente.
Na vida, parece que a gente sabe, então se torna uma luta contra o tempo. A vida sempre é uma luta contra o tempo. O tempo é um inimigo que todos temos em comum, assim como a morte é um fato que todos temos em comum. Por enquanto, essas são as únicas verdades que nós levamos; embora o tempo, por vezes, possa ser um aliado, mas digo com relação a própria vida. O tempo é só a distância que percorremos para tudo terminar em um grito de redenção – o resto é silêncio – disse Hamlet.
Então, quando estive lado a lado com André Matos, foi numa noite de março, em um festival de rock na região. Eu tinha dezesseis anos. Naquele dia, vi que muita gente estava invadindo a área vip e o camarim atrás do palco, e acabei fazendo o mesmo – ops! – Pouco tempo depois, Dedé saiu e conversou com os fãs. Lembro perfeitamente do momento. Assim como me parece claro agora todos cantando em uníssono o refrão de "Living For The Night", que, embora do Viper, André sempre cantava nos shows de sua carreira solo.
Viper que, inclusive, era uma banda que eu sonhei assistir com a formação original. Cheguei perto. Digo que cheguei a assistir... atrás do palco rs. Foi no Rock in Rio. Enquanto alguns estavam curtindo, já dentro da Cidade do Rock, estávamos nós, Cesar, Sheila e eu, presos em uma fila que durou mais de 3h. Com isso, acabamos perdendo todos os shows iniciais daquele dia, mas, independente de tudo que aconteceu, foi bom.
Mais recentemente, Shaman havia anunciado uma turnê de reunião, com os velhos integrantes. Pude dizer: "shut up and take my money". Acabei indo naquele que seria um dos melhores shows da minha vida. Mesmo com alguns problemas técnicos, eu fico feliz em poder ter assistido de perto uma das maiores bandas, e, talvez a maior banda de heavy metal de todo Brasil. Foi a última vez que acompanhei um músico sensacional, dono de composições incríveis, e uma real inspiração na música, em cima do palco.
Lembro de ser adolescente, ir para a escola de música ouvindo Angels Cry e tentando dar aqueles agudos que só o André Matos conseguia em "Wuthering Heights". Além de falhar miseravelmente, era completamente tosco me ver com fones de ouvido gritando na rua "Heathcliff, it's me, I'm Cathy. I've come home, I'm so cold. Let me in your window" rs.
Mas discos como esse, ou em especial o Holy Land, rico e dono de uma brasilidade sem igual, marcaram a minha vida. O piano que introduz "Holy Land", a canção, melodia feita sobre o ritmo das rodas de capoeira. Tudo isso me mostrou que a pluralidade na música é super importante. Não se trata apenas de heavy metal. Se trata de música. Onde ouvir de tudo é importante, sem preconceitos - exceto esses sertanejos de hoje, porque, realmente, tudo tem limites, né? rs.
É um ensinamento que a gente leva para a vida. Sem preconceitos.
Descanse em paz, Moreno!
Na vida, parece que a gente sabe, então se torna uma luta contra o tempo. A vida sempre é uma luta contra o tempo. O tempo é um inimigo que todos temos em comum, assim como a morte é um fato que todos temos em comum. Por enquanto, essas são as únicas verdades que nós levamos; embora o tempo, por vezes, possa ser um aliado, mas digo com relação a própria vida. O tempo é só a distância que percorremos para tudo terminar em um grito de redenção – o resto é silêncio – disse Hamlet.
Então, quando estive lado a lado com André Matos, foi numa noite de março, em um festival de rock na região. Eu tinha dezesseis anos. Naquele dia, vi que muita gente estava invadindo a área vip e o camarim atrás do palco, e acabei fazendo o mesmo – ops! – Pouco tempo depois, Dedé saiu e conversou com os fãs. Lembro perfeitamente do momento. Assim como me parece claro agora todos cantando em uníssono o refrão de "Living For The Night", que, embora do Viper, André sempre cantava nos shows de sua carreira solo.
Viper que, inclusive, era uma banda que eu sonhei assistir com a formação original. Cheguei perto. Digo que cheguei a assistir... atrás do palco rs. Foi no Rock in Rio. Enquanto alguns estavam curtindo, já dentro da Cidade do Rock, estávamos nós, Cesar, Sheila e eu, presos em uma fila que durou mais de 3h. Com isso, acabamos perdendo todos os shows iniciais daquele dia, mas, independente de tudo que aconteceu, foi bom.
Mais recentemente, Shaman havia anunciado uma turnê de reunião, com os velhos integrantes. Pude dizer: "shut up and take my money". Acabei indo naquele que seria um dos melhores shows da minha vida. Mesmo com alguns problemas técnicos, eu fico feliz em poder ter assistido de perto uma das maiores bandas, e, talvez a maior banda de heavy metal de todo Brasil. Foi a última vez que acompanhei um músico sensacional, dono de composições incríveis, e uma real inspiração na música, em cima do palco.
Lembro de ser adolescente, ir para a escola de música ouvindo Angels Cry e tentando dar aqueles agudos que só o André Matos conseguia em "Wuthering Heights". Além de falhar miseravelmente, era completamente tosco me ver com fones de ouvido gritando na rua "Heathcliff, it's me, I'm Cathy. I've come home, I'm so cold. Let me in your window" rs.
Mas discos como esse, ou em especial o Holy Land, rico e dono de uma brasilidade sem igual, marcaram a minha vida. O piano que introduz "Holy Land", a canção, melodia feita sobre o ritmo das rodas de capoeira. Tudo isso me mostrou que a pluralidade na música é super importante. Não se trata apenas de heavy metal. Se trata de música. Onde ouvir de tudo é importante, sem preconceitos - exceto esses sertanejos de hoje, porque, realmente, tudo tem limites, né? rs.
É um ensinamento que a gente leva para a vida. Sem preconceitos.
Descanse em paz, Moreno!

